quinta, 30 março 2017 16:06

“COMANDOS UM CONTRIBUTO PARA A HISTÓRIA" Featured

Written by Associacao Comandos
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Cronologia do 25 de Novembro de 1975

Na sequência de uma decisão do General Morais da Silva, CEMFA, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1000 camaradas de armas de Tancos, para-quedistas da Base Escola de Tancos ocupam o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas.

Detêm o general Pinho Freire e exigem a demissão de Morais da Silva. Este acto é considerado pelos militares ligados ao Grupo dos Nove como o indício de que poderia estar em preparação um golpe de estado vindo de sectores mais radicais, da esquerda. Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados PS e PPD, depois do Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes ter obtido por parte do PCP a confirmação de que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar inequivocamente o destino político do país.

O Estado Maior do COPCON pede a Otelo que não abandone as instalações, no que não é ouvido. Em consequência a situação agrava-se e a confusão instala-se no COPCON.

4.30 horas


Ocorre a primeira acção de contenção do golpe, quando quatro Chaimites do Regimento de Comandos montam guarda ao Palácio Presidencial em Belém.

5 horas

 
Unidades blindadas fiéis às forças democráticas saem do regimento de Cavalaria de Estremoz e da EPC (Escola Prática de Cavalaria) de Santarém, em direcção a Lisboa

6 horas


O RALIS ocupa posições nos acessos à auto-estrada do Norte, ao Aeroporto da Portela e na zona de Beirolas.
Tropas da EPAM ocupam os estúdios da televisão no Lumiar e tomam posições na portagem da auto-estrada do Norte.
O Serviço de Direcção e Coordenação de Informação é posto em estado de alerta.

7 horas


O GDACI de Monsanto é ocupado por uma força de 65 pára-quedistas da companhia 121 aquartelada no Lumiar e a acção, comandada pelo Sargento Rebocho recebe o apoio da polícia Aérea de serviço no GDACI. O Comandante da 1ª região Aérea, General Pinho Freire, é detido, mas apesar da sua situação não lhe é impedido o acesso ao telefone pelo que contacta Morais e Silva e activa os mecanismos de defesa previamente estudados, fazendo concentrar os pára-quedistas fiéis em Cortegaça. Contacta ainda a Presidência da República e, atendido por Loureiro dos Santos, dá-lhe conta da situação. Ramalho Eanes é também informado.

9 horas
Inicia-se em Belém uma reunião de emergência do Presidente da República com o CR e comandos militares.

10 horas
O Partido Comunista apercebe-se que a situação, embora aparentemente favorável aos revolucionários não tem saida, desde que o Presidente decidiu contrariar o golpe. O PCP dá ordens à sua principal unidade operacional, os Fuzileiros Navais, de que «não é a altura para avançar».

12 horas
O presidente convoca Otelo Saraiva de Carvalho para que se apresente no Palácio de Belém.

13.35 horas
O EMGFA, em nota oficiosa, confirma os acontecimentos, avisa os sublevados de que usará a força e considera a rebelião como tendo um objectivo político mais vasto, além da simples contestação a Morais e Silva e a Pinho Freire. Esta nota, em nome de Costa Gomes é o primeiro enquadramento legal das operações do grupo militar chefiado por Ramalho Eanes contra os pára-quedistas.

14 horas
O Presidente da República exige a presença de Otelo Saraiva de Carvalho em Belém.

14 horas
O Presidente da República manda que vários comandantes de unidades militares da região de Lisboa se apresentem no Palácio de Belém.

14.30 horas
Otelo Saraiva de Carvalho chega ao COPCON. Reúne à porta fechada com Arnão Metelo, Eurico Corvacho e outros oficiais durante hora e meia. Entretanto Marques Júnior, enviado de Belém, chega para conduzir Otelo ao Presidente da República.

15 horas
Otelo Saraiva de Carvalho abandona o COPCON em direcção a Belém e Costa Gomes coloca o COPCON sob o seu comando directo.

16.30 horas
O Presidente da República decreta o estado de sítio na região de Lisboa.
Os pára-quedistas difundem um manifesto em que afirmam lutar por um «socialismo verdadeiro».

Os Comandos da Amadora deixam o quartel e desencadeiam a ofensiva em quatro direcções:

1 - Monsanto (BETP) pelas CCMDS 121 comandada pelo Capitão Gonçalves e CCMDS 122 comandada pelo Capitão Sampaio Faria
2 - Regimento da Polícia Militar RPM na Ajuda pela CCMDS 112 comandada pelo Capitão Apolinário
3 - Regimento de Artilharia de Costa RAC em Oeiras
4 - Regimento de Artilharia de Lisboa RALIS e Escola Práctica de Administração Militar EPAM no Lumiar

Qualquer destas operações é precedida de mensagens rádio que as anunciam em nome do PR.

16.30 horas
O presidente manda emissários às instalações do comando da Força Aérea em Monsanto pedindo a rendição dos revoltosos, mas sem sucesso.

17 horas
Forças da EPAM (Escola Prática de Administração Militar) tomam as instalações da Televisão.
A emissão passa a ser constituída por bailados revolucionários e música clássica.

17 horas
A Emissora Nacional é ocupada por tropas da PM e do COPCON.
Mais tarde, na edição do jornal da noite às 20h, vão ser feitos apelos à revolução, em nome de Otelo e do poder popular.

17 horas
Populares da região de Leiria cercam a base de Monte-Real, que tinha sido tomada pelos para-quedistas e impedem a sua utilização.

17.30 horas
Ouve-se na Rádio da Polícia Militar um apelo a forças militares não identificadas no sentido de serem enviados reforços militares para a Emissora Nacional. Pouco depois saem tropas da PM.
Entretanto no COPCON o Coronel Varela Gomes tenta dirigir as operações.

18 horas
O Capitão Duran Clemente (EPAM) apela, através da televisão, à mobilização popular, junto aos quartéis e às estações da rádio e TV.
O Sindicato dos Operários Metalúrgicos faz um apelo à greve e à mobilização de massas junto dos quartéis.

19.15 horas


As tropas que ocuparam Monsanto rendem-se a uma força dos Comandos da Amadora, chefiada por Jaime Neves.
O Capitão Faria Paulino é preso.

Ainda durante a tarde

Costa Gomes contacta telefonicamente com Álvaro Cunhal e com a Intersindical no sentido de desmobilizar a população civil concentrada junto de alguns quartéis.

20.45 horas
A emissão nacional da Emissora Nacional passa para o Porto.

21.10 horas
Ocorre um dos mais conhecidos e caricatos incidente da revolta para quem assistia televisão.

O capitão Duran Clemente, que lia um comunicado revolucionário é interrompido e a emissão da Rádio Televisão Portuguesa a partir de Lisboa, passa a ser assegurada a partir dos estúdios no Porto. A programação, que transmitia música sinfónica e um balet revolucionário (ao estilo chinês) é substituída por um filme americano com Danny Kaye "O Homem do Diner's Club".
A imagem de Clemente Duran na televisão tornou-se um ícone do falhanço das forças revoltosas no 25 de Novembro 1975. «Estão a dizer-me que não posso falar por razões de ordem técnica, é isso?», foram as suas últimas palavras.

A emissão é transferida para os estúdios do Porto através da actuação técnica a partir da antena de Monsanto (Lisboa) já sob controlo de uma força dos Comandos chefiada pelo então Major José Coutinho.

Tomada do Emissor de Monsanto da RTP - Relato de um funcionário da RTP

"Dezenas de “comandos” invadiram o recinto, espalharam-se por todo o lado e entraram na Sala do Emissor… Encostaram os técnicos à parede e apontaram-lhes as G3 ao peito… Assim, naquelas dramáticas condições, ordenaram que os sinais de televisão dos Estúdios do Lumiar (onde intervinha o Capitão Duran Clemente) fossem imediatamente “cortados” e substituídos pela programação que, ao longo da cadeia de Feixes Hertzianos, continuava a ser emitida a partir dos Estúdios do Porto…"

Artigo no Jornal Expresso acerca do corte da emissão da RTP a partir de Monsanto.

21.15 horas
O General Costa Gomes dirige uma mensagem ao país, pela rádio e televisão, em que comunica ter decidido impor o estado de sítio parcial na região abrangida pelo Governo Militar de Lisboa. Otelo Saraiva de Carvalho aparece a seu lado no écran.

22 horas
É anunciado que o General Pinho Freire retomou o comando da 1ª Região Aérea.
Concentração de milhares de trabalhadores junto ao RALIS.

22.10 horas
O Rádio Clube Português cessa as suas emissões.

22.20 horas
É anunciada a rendição da Base de Monte Real.

26 de Novembro 1975
0.15 horas
A base da Ota, ocupada durante a tarde por pára-quedistas, regressa à anterior linha de comando.
Pára-quedistas abandonam também a Base de Tancos.

1 hora
Populares cavam trincheiras junto às instalações da Policia Militar na Ajuda, a apenas quinhentos metros do Palácio Presidencial.

2 horas
Não tendo conseguido o controlo completo da situação, forças de infantaria vindas do Porto de Vila Real e de Braga, preparam-se para marchar sobre Lisboa.

Manhã

7.20 horas
Os comandantes do Regimento de Policia Militar são convocados para se apresentarem ao Presidente da República, 500m mais abaixo, mas um plenário de militares revolucionários determina que o Presidente deve primeiro explicar as razões da convocação.
Um militar da presidência dá a palavra de honra de que os oficiais esquerdistas não serão presos e dois deles (Maj. Mário Tomé e Maj. Cuco Rosa) apresentam-se no palácio às 8 horas.

8.15 horas


Os militares do Regimento de Comandos chefiados por Jaime Neves tomam de assalto o quartel do Regimento da Polícia Militar.
Após a rendição da PM, há vítimas mortais de ambos os lados, dois militares pertencentes aos Comandos (Tenente Coimbra e Furriel Pires) e um da PM (Aspirante José Bagagem).

O comando da PM, constituído pelos Majores Campos Andrade, Mário Tomé e Cuco Rosa é preso.
Na mesma ocasião é também detido um civil armado.

A participação de civis armados

Um dos soldados da P.M. garantiu que, efectivamente o Regimento distribuíra armas a civis durante a noite, mas nunca mais os tinha visto... Mais tarde, diante das câmaras da R.T.P., o capitão Sousa e Castro, do Conselho da Revolução, diria que assistindo ao combate de uma janela do Palácio de Belém, vira claramente civis armados que disparavam contra os Comandos. De acordo com as informações oficiais, teriam sido estas milícias quem infringiu baixas na P.M., mas os militares deste Regimento afirmaram, como se disse, estar convencidos de que o Furriel Miliciano Comando, Joaquim dos Santos Pires fora atingido por disparos dos próprios recrutas da P.M..

O capitão Sousa e Castro louvou, na televisão, a disciplina demonstrada pelos homens da Amadora, que debaixo de fogo, da P.M. e de civis, obedeceram à ordem dos oficiais e calaram as suas armas.

Segundo o relato que nos foi feito, por um militar Comando, da coluna vinda da Amadora, destacou-se uma “Chaimite” que encostou à porta de Lanceiros, tombando-a. Confiantes, em virtude da comunicação que dava o Comando da P.M. como tendo manifestado obediência ao Presidente da República, os Comandos desmontaram sendo alvejados com fogo vindo do lado da Cavalaria 7.

Teria sido detido posteriormente um indivíduo à paisana, armado de “G-3”.

O Major Diniz de Almeida, depois de um telefonema da Presidência da República, dirige-se a Belém e é imediatamente detido.

10 horas


Blindados chegados da Escola-prática de Cavalaria de Santarém, controlam o Depósito-Geral de Material de Guerra próximo do RALIS.

Tropas da RMN e da RMC reforçam a RML, ficando estacionadas na EPI, em Mafra.

Os sindicatos apelam à greve geral.

Tarde

Centenas de populares continuam concentrados frente ao RALIS, onde a situação é tensa e os militares continuam em posição de defesa.

Um novo comandante, o Major Paz substitui o Capitão Luz, no comando do destacamento do Forte de Almada, onde a situação tende a normalizar-se. Fuzileiros dispersam os populares que se haviam concentrado junto àquela unidade.

A EPAM regressa ao comando da RML.

O Regimento de Infantaria de Setúbal é reforçado com uma força de blindados de Cavalaria de Estremoz.

Continuam as reuniões de esclarecimento interno nas unidades da Armada.

Nova comunicação ao país do PR:
" Move-nos a ideia de que um socialismo se constrói como obra pragmática, com avanços decisivos mas prudentes. Não é com verbalismos ocos, com greves infundadas, com manifestações profissionalizadas que se edifica uma sociedade sem classes".

O Comércio do Porto é o único jornal dependente do Estado a publicar-se em todo país, visto o Porto não ter sido abrangido pelo Estado de sítio.

Durante a noite a Base do Montijo regressa ao comando da 1ª Região Aérea.

Comunicado dos SUV-Trabalhadores Unidos Vencerão apela à resistência dos trabalhadores perante o golpe militar da véspera.

Ainda neste dia

Melo Antunes afirma na televisão: “a participação do PCP na construção do socialismo é indispensável”.

A partir desta data integra-se no ELP a Rede de Acção Interna (RAI), levando consigo explosivos, minas e bombas de relógio. (JSC)

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